TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

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TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

Mensagempor João Nicácio » Dom Mar 07, 2010 11:58 pm

Esta é a segunda parte do artigo "Técnicas de Pesca". Aproveitem.

Técnicas de Pesca (II) - Começando a Pescar

Algo muito especial em nosso esporte é o fato de que podemos manter-nos conectados com ele, mesmo estando longe do rio - algo muito difícil de conseguir em outra modalidade de pesca esportiva. Como pescadores, nos preparamos, lemos, praticamos e este acúmulo de experiências pretendemos despejar na próxima jornada – e é ali que nos damos conta de que, às vezes, não é tão simples.

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Em nossa resenha, Técnicas de pesca (I), pretendíamos ordenar um conjunto de situações que nos acontecem normalmente; agora regressamos para acercarmo-nos e introduzirmo-nos na água.
Recordemos que estes conselhos se baseiam em rios de pequenos a medianos, mas podem ser aplicáveis a distintos meios ou tomar-se como parte de uma estratégia geral.

Encontrando os ambientes de pesca

Devemos ficar bem claros que, o fato de os peixes sobreviverem e se desenvolverem dentro de um meio aquático está delimitado, por onde quer que o vejamos, ao que se lhe somam as adversidades próprias de cada meio. Assim, uma truta sobreviver em um rio de serra não é o mesmo que outra fazê-lo na Patagônia, com condições mais favoráveis. Mas o certo é que, salvo as diferenças, as condições se repetem.

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Em termos gerais, podemos dizer que existe um lugar de alimentação (Feeding lie). Este é importante porque tem sempre muito ingresso de comida, apesar de também gerar gasto energético por efeito da corrente. É por isso que um peixe de bom porte chega até este lugar em momentos de pico, para a seguir se retirar, e só permanecem residentes os peixes muito pequenos, os quais carecem de uma estratégia de sobrevivência forte.

Lugar de proteção, (Sheltering lies). Este é um ambiente mais protegido; pelo geral, está associado à maior profundidade, rochas, paus no fundo, etc. É o lugar onde o peixe se abrigada às vezes, ao ser assustado, o lugar onde se refugia a aumentar a temperatura de nossos rios, ao ser pescado, etc.

Lugar Ótimo, (Prime lie). Um ambiente que proporciona proteção e comida, onde se incorpora mais do que se gasta, sem dúvida, o ponto chave para a subsistência de uma grande presa.
Como pescadores, saber encontrar estes lugares, analisá-los, lê-los, é a chave para o êxito.
Como referência: Esse lugar onde se pesca “sempre” uma boa truta, esse é um lugar ótimo; busquem-no.

Fisionomias específicas da corrente:

Corredeiras baixas (riffles)

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As corredeiras possuem escassa profundidade, pelo geral não mais de 0,50 mts. A água corre a uma velocidade rápida e constante.
A superfície se mostra muito entrecortada e impossibilita que a truta possa ver com claridade.
Aqui o peixe, seja grande ou pequeno, deve decidir-se muito rápido - do contrário, a comida passa - e é por este motivo que as corredeiras são consideradas como lugares com menor grau de dificuldade.
Aqui, os peixes pequenos abundam e os exemplares importantes se movem para eles em ocasiões, tal como lugares de alimentação (feeding lies). Desta forma, os peixes grandes podem estar presentes só em determinados momentos do dia, sobretudo de manhã bem cedo.
O equipo sugerido é uma linha flutuante e líder de 9 a 12 pés de comprimento.

Corredeiras mais profundas (runs)

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As corredeiras de maior profundidade ou runs superam os 0,80 mts de profundidade. A superfície toma um aspecto menos cortado, apesar de que a velocidade é quase igual ao riffle.
As trutas encontram no run um âmbito ótimo (prime lie). As pedras e obstáculos do fundo defendem de todo esforço e gasto extra. O peixe tem pouco tempo para ver sua presa, mas há melhor visibilidade. Pelo geral, é um âmbito de maior dificuldade, apesar de muito produtivo.
Como todo ambiente ótimo, pode albergar peixes em todo momento, apesar de, como sempre, as trutas maiores demonstram mais atividade durante as horas de pico e, pelo geral, é na manhã, quando estes peixes preferem comer, em especial os que desenvolvem hábitos ictiófagos.

ICTIÓFAGOS : Peixes que começam a alimentar-se de outros peixes, inclusive seus congêneres. Estou convencido que as trutas, a determinado tamanho, necessitam converter-se em ictiófagas, para poder ter um balanço alimentar positivo e não morrer, por isso todos devemos considerar possuir uma caixa com streamers pequenos, inclusive nos âmbitos mais seletos.

O equipo sugerido para o riffle pode funcionar, mas é necessário também analisar a opção de uma linha Streamer tip; isto nos permite alcançar a profundidade desejada e, neste caso, encurtamos o líder para 7,6 pés.

Os poções (pools)

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Os Pools são lugares de maior profundidade que presenteiam a uma truta grande a proteção natural que ela necessita. São âmbitos que exigem de nós distintas estratégias em todo o seu comprimento e largura. Assim, podemos pescar na cabeceira, no meio e no final de maneiras distintas, trocando nossas linhas e líderes muitas vezes.
Os peixes nos poções dispõem de todo o tempo para analisar o deslocamento de nossa mosca e assim buscar o mais mínimo dos erros. Só notamos uma “certa” agressividade para uma mosca que imita um peixe pequeno ou para um indivíduo que possua uma natação veloz.
Inclusive podemos observar como o sobrevôo de uma libélula adulta produz ataques ferozes enquanto que o mesmo peixe segue de perto a deriva de um gafanhoto indefeso e preso na película superficial da água. Inclusive é comum ver como afundam o gafanhoto antes de pegá-lo.
Podemos comprovar que são verdadeiras “sabetudo” e que são capazes de fazer-nos recorrer a toda nossa sapiência, a qual, na maioria dos casos, é insuficiente.

Depois continuaremos com Técnicas de pesca III, Na Água.
Ali analisaremos qual é a maneira como poderemos pescar cada lugar, os lançamentos mais importantes que devemos conhecer e os equipos recomendados para cada um. Se tem mais perguntas, por favor envie-a para nós em info@federicoprato.com.ar


Até mais.
Federico Prato

(Traduzido de http://www.federicoprato.com.ar/notas/tecnicas1.htm, mediante prévia autorização dada por por Juan E. Alvarez.)
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(Se apertar demais, vaza entre os dedos)

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Re: TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

Mensagempor rubens gorben » Ter Mar 09, 2010 11:44 pm

Show de bola estes post's João!
Tenho os acompanhado de perto.

Agradeça ao Frederico por nós.

Um abraço
Aquele que quer encontra um caminho... O que não quer, pesca de bait.

http://www.plumapunk.blogspot.com
Se não pode com eles...
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Re: TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

Mensagempor João Nicácio » Qua Mar 10, 2010 1:20 am

rubens gorben escreveu:Show de bola estes post's João!
Tenho os acompanhado de perto.

Agradeça ao Frederico por nós.

Um abraço


Rubens, como vocês já sabem, je deteste le damn anglais...daí voltar-me sempre para o que se pode encontrar em espanhol, com respeito à pesca com mosca...
Próximo e-mail para eles eu transmitirei isso.
Abração do lado de cá do oceano...
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Re: TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

Mensagempor rubens gorben » Qua Mar 10, 2010 5:00 am

És o meu anti-anglosaxão favorito chefia.

Parabéns pela iniciativa.
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Re: TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

Mensagempor João Nicácio » Qui Mar 11, 2010 2:26 pm

rubens gorben escreveu:És o meu anti-anglosaxão favorito chefia.

Parabéns pela iniciativa.


Rubens, desculpe a demora em responder, mas passei por uma pequena cirurgia bucal que me deixou meio de banda...
Comecei a não gostar do idioma anglo desde o ginásio. Um certo professor de inglês tinha que dar 6 aulas mensais.
Num certo mês de março, ele deu DUAS aulas, sentado SOBRE a mesa, fumando um cigarro e gastando metade das aulas tentando nos convencer que a maconha era um cigarro um pouco melhor.
No mês de abril ele apareceu na penúltima aula para dizer que na outra era prova, das matérias das duas aulas de março.
Aí, ele apareceu de novo em junho, para duas aulas e na terceira foi prova.
Resultado foi que peguei uma ojeriza pelo english.
Mas uma coisa sempre me chamou a atenção, desde que passei a me dedicar à pesca esportiva - primeiro com molinetes, depois na carretilha e, por fim (ALELUIA!), descobri a pesca com mosca.
É a MANIA que brasileiro tem de imitação. Me faz sempre lembrar uma música antiga, que foi sucesso á época (creio que foi do grande Toquinho):

"O patrão mandou cantar com a língua enrolada.
Everybody macacada. Everybody macacada
E também mandou servir uísque na feijoada.
Do you like this, macacada? Do you like this, macacada?
E ainda mandou tirar nosso samba da parada.
Very good macacada. Very good macacada.
"

Eu bem sei que uma língua, por ser viva, recebe a inflçuência (por vezes decisiva) de outras línguas - aliás, o nosso próprio idioma é uma prova viva disso, com a decisiva influência da língua indígena (tupi), da língua árabe e dos dois principais dialetos africanos; o inglês hoje é a língua com mais vocábulos do mundo, devido à sua expansão mundial e à absorção de palavras de outros idiomas - você pode falar "dois" com uma palavra oriunda do inglês arcaico, ou com uma palavra vinda do latim, ou com uma vinda do francês. Mas daí ter que se utilizar sempre a língua angla, é um passo grande demais prás minhas pernas...
Vejam que os franceses tem sua "pêche à mouche"; os espanhóis conhecem "pesca con mosca", "caña", "pozón", "ratón", "pelo de ciervo", "penas de culo de pato" epor aí vai.
Até os nossos irmãos de língua (permita-me esta expressão) daí conhecem o que é "cana de pesca", "carretilha", "baixo de linha", "pesca à pluma", "plumas", etc.
Mas aqui no Brasil, um instrutor vem dizer que "não é mosqueiro, é flyfisherman"; "não é mosca, é fly".
Outro pescador vem me falar de líder de 9 pés - e não sabe quantos metros são!!!
Outro só sabe falar de spinning rod - e não sabe o que é uma vara para molinete.
Na verdade, creio que seja uma dominação cultural - e só é dominado um povo que se deixa dominar.
Você passeia na cidade (aqui no Brasil) e vê "fast-food", "hot-dog"(quando existe a palavra no português "cachorro-quente"), militares falando em "combat-boot" (quando existe o "coturno") e etc e tal...
Triste de se ver. Nosso idioma tão lindo e complexo - há, assim como no inglês, casos de três palavras para expressarem uma mesma coisa.
Veja na pesca...
Se você quiser usar uma palavra indígena (autenticamente brasileira), você pode chamar um certo peixe de camorim ; mas pode chamá-lo também pelo nome que os primeiros navegantes portugueses deram a ele, tomando emprestado de uma espécie que parecia-se com ele, na Europa - robalo...mas tem gente que só quier conhecer o snook...
Ou o outro peixe, que tem o nome bem brasileiro de pirapema, ou de camurupim; mas tem gente que só sabe chamá-lo de tarpon.
Lembrei da velhinha (já falecida) bisavó de minhas duas filhas... "Giovanni, mio ragazzo, "gringa" é a nonna dele!!"
Eu consigo ler em inglês direitinho, principalmente se os assuntos forem Bíblia, Igreja, pesca, assuntos militares (equipam,entos, armamentos, táticas, estratégia, etc.). Mas prefiro ir ao que se encontra em espanhol, porque os de língua hispana a valorizam.
Um baita abraço
João
P.S. esse idioma, para mim, é apenas האנגלית הרשע (haanglit hareshaá - "o maligno inglês") - e respeitando as opiniões em contrário!
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Re: TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

Mensagempor neruda » Qua Abr 21, 2010 8:32 am

"SEJAMOS MAIS COMO PC DOMINGUES PRA ATINGIRMOS A VERDADEIRA ESSÊNCIA DA PESCA COM MOSCA BRASILEIRA"

João Nicácio,

Essa coisa de dominação anglo-saxã é uma triste realidade. Mas desde sempre tem sido em relação a outras culturas também: a cultura francesa aqui no Brasil alguns séculos atrás, a China sobre o Tibet, a Rússia em relação às outras nações soviéticas da ex-CCCP, os brasileiros de origem européia em relação aos índios, verdadeiros nativos etc. etc. Talvez o maior exemplo seja o Império Romano que, com o latim, teve influência marcante na formação da sua e da minha tão amada língua portuguesa. Então não deveríamos nos revoltar contra os romanos, como agora se propõe em relação aos anglo-saxões? Não penso ser esse o caminho.

Quem sabe, com o passar dos tempos, as influências venham somente pelo respeito e não mais pela força. Quem sabe...

Acho importante não cair nas ideologias hipócritas que, na verdade, trazem subliminarmente dominação e retrocesso. Mas também não vejo interessante uma postura intransigente. Vamos aprender o que há de melhor em cada cultura. Isso não significa, de maneira alguma, estar submisso a ela.

Ah, e não vamos nos esquecer de que as maiores manipulações, incrivelmente deletérias a nosso sadio desenvolvimento, estão aqui mesmo dentro do nosso Brasil. Os meios de comunicação, em especial nossa tão amiga TV Globo, que o digam...

Quanto a seu professor de Inglês, foi uma peça, apenas uma peça. Há outras melhores por aí...

Em relação à pesca com mosca, infelizmente o mosqueiro brasileiro repete muito, como você colocou, a macaquice de sempre. São tristes as infinitas "macaquices" brasileiras. Busca-se mais copiar do que criar. Buscam-se as ideias gringas, prontas. Mas nem tudo está perdido,também se vê muitas adaptações interesantes por aí...

E a passiva aceitação de dominações e manipulações e consideráveis apatias intelectuais de nossa parte se veem por toda parte: seja na "revolução" militar de 1964 para os interesses dos EUA, quando a maioria do nosso povo (infelizmente, inclusive a classe média e pobre) em regra achou muito positiva a dominação; seja nas palavras francesas muito utilizadas por aqui (quando, como você bem notou, geralmente já tínhamos termos em português, mas ficaria menos elegante, ou melhor, menos "chic", no francês, ou menos "posh", no inglês?!?!); ou em tantas outras incontáveis situações. Tão-somente se repete o que é de interesse dos outros, sem sequer se ponderar se realmente é um interesse para nos desenvolvermos como uma sociedade digna de respeito. O brasileiro não desiste nunca, mas, em regra, sempre copiando muito mais do que criando. Em geral escolhendo o caminho mais fácil, que na grande maioria das vezes não se mostra o melhor. Tá aí mais um exemplo do que se pode aprender de forma sadia com os anglo-saxões: os caras são inventores por natureza; e não costumam desistir também. Se há um problema, não têm o costume de simplesmente copiar; pensam, pensam e pensam. Nesse ponto quero muito tê-los como exemplo.

O Brasil também precisa pensar um pouco mais. A começar nas eleições do próximo mês de outubro.

Portanto, sem muitos rótulos. Joguemos "saída bangu", vira 2 acaba 4. Sem muitas regras estanques, apenas não deixando o dono da bola ditar as regras sozinho. Mais na informalidade, mais tranquilo, acho que a gente aproveita melhor o que cada um pode passar. Aprender a melhor viver deve ser a única regra inflexível. E há bons exemplos disso: aprendemos o futebol com os ingleses e nem por isso não deixamos de criar uma maneira toda brasileira de se jogar (muito melhor e mais elegante que a deles, por sinal). A pesca com mosca também traz fortíssima influência anglo-saxã, porque não podemos seguir também esse caminho do futebol brasileiro? Deixemos de lado as macaquices (quando inúteis, frise-se) ou as posturas meramente embusteiras! Tenho total certeza de que nós brasileiros somos capazes de fazer a nossa pesca com mosca tão ou mais elegante que a de quaisquer outros praticantes estrangeiros. Basta sermos nós mesmos e não querer simplesmente repetir a maneira de pescar, de se vestir, de falar etc. dos outros. E tudo isso como foi também no futebol e é bem típico de nossa cultura, com simplicidade e naturalidade. Aqui devo salientar que essa postura é típica, em regra, infelizmente apenas nas camadas mais pobres da sociedade brasileira. Foram nossos pobres que colocaram nosso futebol no topo do mundo! Se dependesse da elite, estaríamos provavelmente até hoje tentando copiar o jeito feio de jogar dos ingleses, com um futebol bruto e de força. A pesca com mosca deles é mais graciosa que seu futebol, mas será que temos que, ainda assim, até copiar o jeito dos ingleses - e norte-americanos também - se vestirem quando saem à pesca? Nesse aspecto (e no aspecto técnico também), na minha opinião, o melhor exemplo se chama PAULO CÉSAR DOMINGUES DA SILVA! Apesar de não vir das camadas mais simples da sociedade, mostra ter sabedoria pra viver com simplicidade. O cara pesca muito, usa lá suas roupinhas nada anglo-saxônicas, sem frescuras idiotas, enfim, com certeza está muito mais perto de encontrar a essência de nossa modalidade, sem se perder em absurdos embustes. Acho que todo mosqueiro brasileiro deveria refletir um pouco sobre essa parte do PC Domingues e a própria pesca com mosca no Brasil. Acredito que posturas como a desse mestre é que farão a nossa "pesca com mosca moleque", em referência a nosso futebol; farão que nossos praticantes aproveitem o magnífico potencial que existe na modalidade, a busca de sua essência; que não nos percamos nas superficialidades das aparências...

Estou aqui criticando, mas a verdade é que muitos de nossos mosqueiros, assim como o PC Domingues, já têm essa postura por aqui. Basta inclusive verificar as brilhantes ideias veiculadas aqui no FFB...

Quanto aos textos trazidos por você, João Nicácio, parabéns! Como sempre com ótimas contribuições ao fórum e à nossa pesca com mosca (ou pesca a pluma, como preferir). Apenas pra constar, também prefiro o termo em português a fly fishing.

Grande abraço.
neruda
 

Re: TÉCNICAS DE PESCA (II) - COMEÇANDO A PESCAR

Mensagempor Neruda » Sáb Mai 08, 2010 9:41 pm

"SEJAMOS MAIS COMO PC DOMINGUES PRA ATINGIRMOS A VERDADEIRA ESSÊNCIA DA PESCA COM MOSCA BRASILEIRA"

João Nicácio,

Essa coisa de dominação anglo-saxã é uma triste realidade. Mas desde sempre tem sido em relação a outras culturas também: a cultura francesa aqui no Brasil alguns séculos atrás, a China sobre o Tibet, a Rússia em relação às outras nações soviéticas da ex-CCCP, os brasileiros de origem européia em relação aos índios, verdadeiros nativos etc. etc. Talvez o maior exemplo seja o Império Romano que, com o latim, teve influência marcante na formação da sua e da minha tão amada língua portuguesa. Então não deveríamos nos revoltar contra os romanos, como agora se propõe em relação aos anglo-saxões? Não penso ser esse o caminho.

Quem sabe, com o passar dos tempos, as influências venham somente pelo respeito e não mais pela força. Quem sabe...

Acho importante não cair nas ideologias hipócritas que, na verdade, trazem subliminarmente dominação e retrocesso. Mas também não vejo interessante uma postura intransigente. Vamos aprender o que há de melhor em cada cultura. Isso não significa, de maneira alguma, estar submisso a ela.

Ah, e não vamos nos esquecer de que as maiores manipulações, incrivelmente deletérias a nosso sadio desenvolvimento, estão aqui mesmo dentro do nosso Brasil. Os meios de comunicação, em especial nossa tão amiga TV Globo, que o digam...

Quanto a seu professor de Inglês, foi uma peça, apenas uma peça. Há outras melhores por aí...

Em relação à pesca com mosca, infelizmente o mosqueiro brasileiro repete muito, como você colocou, a macaquice de sempre. São tristes as infinitas "macaquices" brasileiras. Busca-se mais copiar do que criar. Buscam-se as ideias gringas, prontas. Mas nem tudo está perdido,também se vê muitas adaptações interesantes por aí...

E a passiva aceitação de dominações e manipulações e consideráveis apatias intelectuais de nossa parte se veem por toda parte: seja na "revolução" militar de 1964 para os interesses dos EUA, quando a maioria do nosso povo (infelizmente, inclusive a classe média e pobre) em regra achou muito positiva a dominação; seja nas palavras francesas muito utilizadas por aqui (quando, como você bem notou, geralmente já tínhamos termos em português, mas ficaria menos elegante, ou melhor, menos "chic", no francês, ou menos "posh", no inglês?!?!); ou em tantas outras incontáveis situações. Tão-somente se repete o que é de interesse dos outros, sem sequer se ponderar se realmente é um interesse para nos desenvolvermos como uma sociedade digna de respeito. O brasileiro não desiste nunca, mas, em regra, sempre copiando muito mais do que criando. Em geral escolhendo o caminho mais fácil, que na grande maioria das vezes não se mostra o melhor. Tá aí mais um exemplo do que se pode aprender de forma sadia com os anglo-saxões: os caras são inventores por natureza; e não costumam desistir também. Se há um problema, não têm o costume de simplesmente copiar; pensam, pensam e pensam. Nesse ponto quero muito tê-los como exemplo.

O Brasil também precisa pensar um pouco mais. A começar nas eleições do próximo mês de outubro.

Portanto, sem muitos rótulos. Joguemos "saída bangu", vira 2 acaba 4. Sem muitas regras estanques, apenas não deixando o dono da bola ditar as regras sozinho. Mais na informalidade, mais tranquilo, acho que a gente aproveita melhor o que cada um pode passar. Aprender a melhor viver deve ser a única regra inflexível. E há bons exemplos disso: aprendemos o futebol com os ingleses e nem por isso não deixamos de criar uma maneira toda brasileira de se jogar (muito melhor e mais elegante que a deles, por sinal). A pesca com mosca também traz fortíssima influência anglo-saxã, porque não podemos seguir também esse caminho do futebol brasileiro? Deixemos de lado as macaquices (quando inúteis, frise-se) ou as posturas meramente embusteiras! Tenho total certeza de que nós brasileiros somos capazes de fazer a nossa pesca com mosca tão ou mais elegante que a de quaisquer outros praticantes estrangeiros. Basta sermos nós mesmos e não querer simplesmente repetir a maneira de pescar, de se vestir, de falar etc. dos outros. E tudo isso como foi também no futebol e é bem típico de nossa cultura, com simplicidade e naturalidade. Aqui devo salientar que essa postura é típica, em regra, infelizmente apenas nas camadas mais pobres da sociedade brasileira. Foram nossos pobres que colocaram nosso futebol no topo do mundo! Se dependesse da elite, estaríamos provavelmente até hoje tentando copiar o jeito feio de jogar dos ingleses, com um futebol bruto e de força. A pesca com mosca deles é mais graciosa que seu futebol, mas será que temos que, ainda assim, até copiar o jeito dos ingleses - e norte-americanos também - se vestirem quando saem à pesca? Nesse aspecto (e no aspecto técnico também), na minha opinião, o melhor exemplo se chama PAULO CÉSAR DOMINGUES DA SILVA! Apesar de não vir das camadas mais simples da sociedade, mostra ter sabedoria pra viver com simplicidade. O cara pesca muito, usa lá suas roupinhas nada anglo-saxônicas, sem frescuras idiotas, enfim, com certeza está muito mais perto de encontrar a essência de nossa modalidade, sem se perder em absurdos embustes. Acho que todo mosqueiro brasileiro deveria refletir um pouco sobre essa parte do PC Domingues e a própria pesca com mosca no Brasil. Acredito que posturas como a desse mestre é que farão a nossa "pesca com mosca moleque", em referência a nosso futebol; farão que nossos praticantes aproveitem o magnífico potencial que existe na modalidade, a busca de sua essência; que não nos percamos nas superficialidades das aparências...

Estou aqui criticando, mas a verdade é que muitos de nossos mosqueiros, assim como o PC Domingues, já têm essa postura por aqui. Basta inclusive verificar as brilhantes ideias veiculadas aqui no FFB...

Quanto aos textos trazidos por você, João Nicácio, parabéns! Como sempre com ótimas contribuições ao fórum e à nossa pesca com mosca (ou pesca a pluma, como preferir). Apenas pra constar, também prefiro o termo em português a fly fishing.

Grande abraço.
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