Técnicas de Pesca (II) - Começando a Pescar
Algo muito especial em nosso esporte é o fato de que podemos manter-nos conectados com ele, mesmo estando longe do rio - algo muito difícil de conseguir em outra modalidade de pesca esportiva. Como pescadores, nos preparamos, lemos, praticamos e este acúmulo de experiências pretendemos despejar na próxima jornada – e é ali que nos damos conta de que, às vezes, não é tão simples.

Em nossa resenha, Técnicas de pesca (I), pretendíamos ordenar um conjunto de situações que nos acontecem normalmente; agora regressamos para acercarmo-nos e introduzirmo-nos na água.
Recordemos que estes conselhos se baseiam em rios de pequenos a medianos, mas podem ser aplicáveis a distintos meios ou tomar-se como parte de uma estratégia geral.
Encontrando os ambientes de pesca
Devemos ficar bem claros que, o fato de os peixes sobreviverem e se desenvolverem dentro de um meio aquático está delimitado, por onde quer que o vejamos, ao que se lhe somam as adversidades próprias de cada meio. Assim, uma truta sobreviver em um rio de serra não é o mesmo que outra fazê-lo na Patagônia, com condições mais favoráveis. Mas o certo é que, salvo as diferenças, as condições se repetem.

Em termos gerais, podemos dizer que existe um lugar de alimentação (Feeding lie). Este é importante porque tem sempre muito ingresso de comida, apesar de também gerar gasto energético por efeito da corrente. É por isso que um peixe de bom porte chega até este lugar em momentos de pico, para a seguir se retirar, e só permanecem residentes os peixes muito pequenos, os quais carecem de uma estratégia de sobrevivência forte.
Lugar de proteção, (Sheltering lies). Este é um ambiente mais protegido; pelo geral, está associado à maior profundidade, rochas, paus no fundo, etc. É o lugar onde o peixe se abrigada às vezes, ao ser assustado, o lugar onde se refugia a aumentar a temperatura de nossos rios, ao ser pescado, etc.
Lugar Ótimo, (Prime lie). Um ambiente que proporciona proteção e comida, onde se incorpora mais do que se gasta, sem dúvida, o ponto chave para a subsistência de uma grande presa.
Como pescadores, saber encontrar estes lugares, analisá-los, lê-los, é a chave para o êxito.
Como referência: Esse lugar onde se pesca “sempre” uma boa truta, esse é um lugar ótimo; busquem-no.
Fisionomias específicas da corrente:
Corredeiras baixas (riffles)

As corredeiras possuem escassa profundidade, pelo geral não mais de 0,50 mts. A água corre a uma velocidade rápida e constante.
A superfície se mostra muito entrecortada e impossibilita que a truta possa ver com claridade.
Aqui o peixe, seja grande ou pequeno, deve decidir-se muito rápido - do contrário, a comida passa - e é por este motivo que as corredeiras são consideradas como lugares com menor grau de dificuldade.
Aqui, os peixes pequenos abundam e os exemplares importantes se movem para eles em ocasiões, tal como lugares de alimentação (feeding lies). Desta forma, os peixes grandes podem estar presentes só em determinados momentos do dia, sobretudo de manhã bem cedo.
O equipo sugerido é uma linha flutuante e líder de 9 a 12 pés de comprimento.
Corredeiras mais profundas (runs)

As corredeiras de maior profundidade ou runs superam os 0,80 mts de profundidade. A superfície toma um aspecto menos cortado, apesar de que a velocidade é quase igual ao riffle.
As trutas encontram no run um âmbito ótimo (prime lie). As pedras e obstáculos do fundo defendem de todo esforço e gasto extra. O peixe tem pouco tempo para ver sua presa, mas há melhor visibilidade. Pelo geral, é um âmbito de maior dificuldade, apesar de muito produtivo.
Como todo ambiente ótimo, pode albergar peixes em todo momento, apesar de, como sempre, as trutas maiores demonstram mais atividade durante as horas de pico e, pelo geral, é na manhã, quando estes peixes preferem comer, em especial os que desenvolvem hábitos ictiófagos.
ICTIÓFAGOS : Peixes que começam a alimentar-se de outros peixes, inclusive seus congêneres. Estou convencido que as trutas, a determinado tamanho, necessitam converter-se em ictiófagas, para poder ter um balanço alimentar positivo e não morrer, por isso todos devemos considerar possuir uma caixa com streamers pequenos, inclusive nos âmbitos mais seletos.
O equipo sugerido para o riffle pode funcionar, mas é necessário também analisar a opção de uma linha Streamer tip; isto nos permite alcançar a profundidade desejada e, neste caso, encurtamos o líder para 7,6 pés.
Os poções (pools)

Os Pools são lugares de maior profundidade que presenteiam a uma truta grande a proteção natural que ela necessita. São âmbitos que exigem de nós distintas estratégias em todo o seu comprimento e largura. Assim, podemos pescar na cabeceira, no meio e no final de maneiras distintas, trocando nossas linhas e líderes muitas vezes.
Os peixes nos poções dispõem de todo o tempo para analisar o deslocamento de nossa mosca e assim buscar o mais mínimo dos erros. Só notamos uma “certa” agressividade para uma mosca que imita um peixe pequeno ou para um indivíduo que possua uma natação veloz.
Inclusive podemos observar como o sobrevôo de uma libélula adulta produz ataques ferozes enquanto que o mesmo peixe segue de perto a deriva de um gafanhoto indefeso e preso na película superficial da água. Inclusive é comum ver como afundam o gafanhoto antes de pegá-lo.
Podemos comprovar que são verdadeiras “sabetudo” e que são capazes de fazer-nos recorrer a toda nossa sapiência, a qual, na maioria dos casos, é insuficiente.
Depois continuaremos com Técnicas de pesca III, Na Água.
Ali analisaremos qual é a maneira como poderemos pescar cada lugar, os lançamentos mais importantes que devemos conhecer e os equipos recomendados para cada um. Se tem mais perguntas, por favor envie-a para nós em info@federicoprato.com.ar
Até mais.
Federico Prato
(Traduzido de http://www.federicoprato.com.ar/notas/tecnicas1.htm, mediante prévia autorização dada por por Juan E. Alvarez.)
