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Galos de PESCA PDF Print E-mail
Written by Administrator   
terça, 01 abril 2008

As aves são, em sua maioria, apreciadas por sua carne ou seus ovos, porém, para certos pescadores a mosca o que realmente lhes interessa são suas penas.

Um galo de pesca, cria-se unicamente para a utilização de sua plumagem, que são destinadas a confecção de moscas artificiais, que devem sugerir mais do que buscar imitar a fauna aquática, da qual se alimentam muitos peixes.

Qual é a origem exata deste tipo de animal?


Em 1891, foi encontrado na França, um livro de contos e lendas populares de Lemousin, que trazia em algumas páginas menções a um certo animal chamado “coq de pêche”, galo de pesca. Nesta obra, P.Verlhac e H. de Montjauzé, dedicam um conto inteiro ao galo de pesca. Os pescadores com varas, utilizavam as moscas artificiais elaboradas com plumas que eles retiravam de galos cinzentos “grizes”, cujas tonalidade utilizadas variavam dependendo da estação do ano ou da temporada e não se encontravam em outra parte, ou ao menos assim se acreditava, pois logo veremos que estes galos podem viver em outras regiões.

O mais curioso é que estes galos, de penas repostas naturalmente ano a ano, nascem ao acaso em ninhadas naturais. Os pescadores daquela época, notaram prontamente que as penas vindas destes “acidentes da natureza” tinham qualidades excepcionais. Sua forma, sua flexibilidade e sua solidez eram perfeitamente adequadas para a contrução de moscas artificiais mais atrativas e menos frágeis; sem mencionar os diferentes tons de cinzento, que vão desde um tom muito claro, parecendo aço, até um tom mais escuro, lembrando o ferro, passando por todas as tonalidades sutis como o cinzento mel, cinzento acastanhado, cinzento limão, cinza azulado. Estas cores eram obtidas desde a primavera até princípios do inverno nos galos que viviam livremente ou nos animais de granjas.

Até a década de cinquenta, somente os iniciados sabiam o tesouro histórico e genético que representavam estes belíssimos animais, um tesouro descoberto por espanhóis e franceses, gente de um povo muito observador forçosamente exímios pescadores. Após a guerra, é possível que tenham desaparecido as principais e mais bem selecionadas raças de galos de pesca, porque o mundo rural se reorganizou , os pequenos criadores deixaram de responder a necessidade de uma comunidade que representava baixo consumo. Este novo estilo de vida contrariava a experiência dos seus ancestrais: produção e rentabilidade tornaram-se as palavras de ordem; buscava-se então apenas criar as raças que produziam ovos e carne de forma precoce, o que conduziu, infalivelmente, ao abandono das raças rústicas que estavam perfeitamente adaptadas a região.

Alguns pescadores souberam guardar bem, aqui e ali, seu segredo, porém faziam falta alguns aficcionados para realmente salvar as melhores raças, difíceis de se obter devido a imensa quantidade de cruzas descontroladas a que estes animais foram submetidos na ânsia de se conseguir aves comercialmente adaptadas, ao novo mundo e a nova demanda que se apresentava.

Somente uma longa e paciente seleção permitia obter-se bons sujeitos. Guy Plas foi o primeiro e certamente o único, em sua época a perceber o perigo do desaparecimento das raças dos galos de pesca; criador e fabricante de moscas artificiais, se dedicava a investigar e a preservar as mais belas raças observadas em sua região, selecionando sempre os melhores exemplares. Outros, com o tempo, o seguiram buscando fazer o mesmo.

Os galos de pesca dignos de seu nome são os galos que vivem em regiões graníticas de seus países, cujo pH é ácido nos meses de altura média com clima continental; estas condições são essenciais para se obter uma plumagem de boa qualidade. Segundo a quantidade de sol recebido ao longo das estações, as cores das penas se modificam. Na França, por exemplo, as melhores raças se encontram em Lemousin, em Auvernia e nas demais regiões ligadas a estas, porém também são muito bons os animais das regiões de Jura e de Bretanha... Encontram-se também excelentes animais na Espanha e na Bélgica, onde algumas tentativas com galos de Lemousin tem obtido bons resultados.

Na Espanha, os galos de pesca tem um uso antiquíssimo, superior em vários séculos o que nos referimos acima quanto a França, pois já no Manuscrito de Astorga, de Juan de Bergara, concluído em 1624 já se relatava com se fazer moscas artificiais com plumas desta ave. O galo mas apreciado para este fim, desde então até os dias de hoje, é o galo leonês, também chamado de galo de león, do qual existem duas raças, o Pardo e o Índio, ambas com suas respectivas variedades de cores e tons. Criam-se na região da Vecilla e nas várias localidades próximas do rio Curueño.

Dos galos de pesca se colhem três tipos de penas:

Os hackles, retiradas do lado dorsal do pescoço, que são penas muito compridas e estreitas, regulares e pouco aveludadas; as pontas das penas largas que hão nos ombros e nas asas e os saddles, provenientes das costas e que caem longamente sobre os flancos e sobre a base da calda.

As cores mais apreciadas são:

- cinza claro
- cinza escuro – quase negro
- cinza com pintinhas de outras cores
- cinza mel
- cinza azulado
- cinza azulado mohoso – velho, oxidado.
- cinza ceniza, com pintinhas – sarapintada, em tons envelhecidos.

Mas a cor acaba por ser apenas um dos requisitos a ser respeitado, o mais importante é o brilho que as fibrilas das penas tem, principalmente as que serão utilizadas para se fazer as asas, hackles ou streamers... estas penas devem ter um brilho equilibrado e cristalino em toda a extensão da fibrila, e quando se olhe a contraluz, deve-se ter a sensação de que a fibrila se “acende” como um cristal, como uma luz florescente.

As diferentes pluma se arrancam uma a uma dos animais ainda vivos, que não sofrem caso já sejam adultos. Pode-se realizar de três a quatro arranques por ano. Depois de selecionadas as penas podem então ser guardadas em caixas protegidas de parasitas; assim podem ser conservar por várias dezenas de anos.

Além destes magníficos galos puros de pesca, existem também as raças orientais, entre elas as principais são: o combatente asiático e o fenix.

O combatente possui penas muito grossas, duras e curtas enquanto a fenix possui aqueles longos hackles e saddles que são selecionados geneticamente resultando naquelas penas muito longas, que são capazes de render asas a mais de 10 moscas.

Embora as penas destes animais asiáticos tenham qualidades específicas, suas melhores aves não se igualam as aves mais fracas e renhidas das raças espanholas, pois suas fibrilas são relativamente grossas, muito rijas e pouco brilhantes.


Bibliografia:
La pesca de la trucha – tikal ediciones
Mouche par pecheur – Rafael del Pozo Obeso
Volailles de france – não identificável
Coqs pour pêche – manuscritos antigos

 

Texto por Rubens Gorben

 
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