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Up-stream and down-stream PDF Print E-mail
Written by Rubens Gorben   
quinta, 12 junho 2008

Pescando rio acima e rio abaixo.

 

Apenas dois nomes entre as diversas formas de se pescar a mosca.

Foto por Eloy Labatut

Na verdade, estão mais relacionados a forma de apresentação da mosca declaradamente do que a estilos distintos de pesca, pois podem ser utilizados com qualquer tipo de isca, dependendo do trabalho de apresentação que quiseres proporcionar ao peixe, mas isto também pode fazer com que determinadas moscas sejam mais propensas a uma forma de pescar do que de outra.

Por exemplo: na pesca com emergentes, é natural utilizar curtos arremessos corrente acima para se obter melhor controle sobre o trabalho da isca, chamo de curtos arremessos entre 0 e 9 metros da linha de fly sem considerar o leader, mas o ideal para as emergentes são os lances perpendiculares ao fluxo ou a 45 graus acima ou abaixo do mesmo além dos lances corrente abaixo propriamente ditos, pois estes são os arremessos que vão te proporcionar o máximo aproveitamento da deriva e o máximo de naturalidade no nadar ou emergir da mosca, sendo possível pescar por “looongos” minutos sem precisar refazer o arremesso, apenas controlando as recolhidas e as derivas da isca, para que ela imite os movimentos emergentes bem como os movimentos de retorno ao fundo que as ninfas costumam fazer frenéticamente, ensaiando a eclosão na forma de freqüentes visitas à superfície enquanto passam pelo amadurecimento final até possuírem gases suficientes para romper sua enxúvia na altura do dorso torácico, obtendo assim, toda a liberdade de movimentos necessários para quebrar a dureza superficial da água, muitas vezes antes de se afogar pois nesta última fase deixam de respirar pelas branquias.


 

Boa era a época em que bastava chegar a beira do rio, jogar-se na água, caminhar 30 metros escolhendo um lugar para ficar, eleger simplesmente uma, das dezenas de atractoras de sua caixa e lançá-la à sorte, à esmo, esperando simplesmente que o peixe tivesse uma previsível reação oportunista, destruindo assim parte do prazer da pesca com mosca que é justamente a busca pelo grau máximo de dificuldade. Bem, certo estou que existem gostos e Gostos, mas quando penso em pesca, não penso em sorte e sim em ciência natural.

Quando pensamos na pesca como ciência e a visualizamos desta forma, acabamos por nos integrar mais profundamente com as particularidades que envolvem cada movimento dentro da água e na ânsia de cobrir todas as necessidades e apelos visuais, única de nossas ferramentas que o peixe exige, acabamos por descobrir um universo tão grande e verdadeiro que dificilmente iremos voltar a ser os mesmos pescadores que fomos no dia de nosso ingresso nesta apaixonante arte.

Existe tamanha verdade nas revelações diárias de um pescador, que ele nunca é o mesmo após as consecutivas sessões de pesca, a cada regresso à sua casa, o pescador com mosca sério e dedicado transforma-se em uma nova pessoa, agrega a sua vida novas impressões, novas lições, novas filosofias, novos conceitos e não é raro, ir-se ao rio como “crente” e voltar “ateu”. Ir ao rio com uma bagagem intelectual consistente adquirida ao longo dos anos e perceber algum fato em algum instante do dia que arremessa toda essa experiência ao chão, deitando por terra todos os seus conceitos e deixando que nasça ali mais uma fase na vida deste curioso ser, mais um capítulo de sua jornada, mais uma metamorfose entre todas as que a pesca irá lhe proporcionar durante sua existência, pois a pesca é assim mesmo, uma vida de cheia de metamorfoses inconscientes e involuntárias. Quando chegarmos ao estágio final de consciência sobre o que significa ser mosqueiro e sobre o que é pescar com mosca, o sol certamente já estará pondo-se sob o manto prateado de nossas almas, apresentado-nos o derradeiro crepúsculo e finalmente como efêmeras, após toda a sua longa vida de ninfa, somente nos restará entregarmo-nos ao doce sabor da corrente e seguirmos nas asas de nossas próprias criaturas em uma deriva perfeita, aguardando uma última tomada.

Up-stream

É a pesca com a mosca lançada corrente acima, é a forma mais difícil ao iniciante devido ao controle da deriva e controle do excesso de linha na água, que deve ser recolhido na velocidade da corrente, pois a medida que falhamos e a linha começa a ultrapassar a ponteira da vara, que está apontada rio acima, ela vai ganhando mais peso e mais velocidade, destruindo assim, por completo, a apresentação e a naturalidade que a mosca deveria manter enquanto estivesse dentro da zona de caça do peixe, mas apesar de ser um “estilo” com certa dificuldade de execução, afirmo que é certamente a forma mais apaixonante de pescar, sob minha óptica pessoal, pois nos proporciona para além do poder de aproximação ao pesqueiro sem sermos vistos, a oportunidade de apresentar nossas iscas estando, os peixes, de costas para nós, podemos ver nossa presa e analisar seu comportamento natural bem como seu comportamento diante de nossa isca a medida que a mesma se aproxima ou passa por ela, também temos a oportunidade de analisar o posicionamento do peixe nas pistas de caça e identificar com clareza qual fase metamórfica ele está buscando, baseados na colocação do peixe junto a coluna d’água, se está se comportando de maneira seletiva ou oportunista e podermos apresentar algo realmente plausível dentro da realidade alimentar daquele momento. O mais importante é que podemos pescar a menores distancias, cobrindo qualitativamente melhor a zona de pesca sem afugentar ou por o “bicharedo” em polvoroso.

Ao contrário do que muitos pensam, o pescador técnico não pesca necessariamente longe, o pescador técnico de rio não perde tempo buscando efetuar lançamentos de 30 metros de distancia a menos que seja obrigatoriamente preciso. Nos campeonatos de pesca com mosca que tenho acompanhado ao longo dos últimos anos, vejo nos campeões o controle emocional para manter sua linha sob seus pés e pescar 90% do tempo com menos de 5 metros de linha para fora da ponteira da cana. Pessoas que muitas vezes nem tem mais do que a quantidade suficiente de linha para armarem seus leaderes de até 16 pés... um passo, um ou dois arremessos, mais um passo, mais um ou dois arremessos e assim em diante, varrendo o rio como se fossem scanners. Retirando trutas e outros peixes, muitas vezes, de baixo do nariz de seus oponentes. Mas isso só é possível porque estas pessoas pescam em up-stream, pescam corredeira acima, vendo o que estão fazendo e como estão fazendo, vendo suas moscas trabalharem e controlando o nadar das fraudulentas guloseimas.

Os demais movimentos e trabalhos da mosca na pesca corredeira acima serão quase idênticos aos utilizados para pescar em down-stream, corredeira abaixo, e serão abordados a seguir.

Down Stream.

No meu início, sempre pesquei perpendicularmente ao rio, não sabia porque raios fazia aquilo, mas lançava minha isca diretamente ao seio da margem oposta acreditando que todos os peixes do rio moravam logo ali, bem embaixo daquele capim onde uma vez tive êxito e somente quando o tal “êxito”, hesitava em mostrar-me sua meiga face eu resolvia mudar de lugar ou de estratégia.

Então deixava minhas moscas soltas ao doce sabor da corrente até a linha ficar tensa novamente entre 10 e 20 metros de distância, que era o momento em que eu começava a recolher calmamente com pequenos toques e era quando ocasionalmente eu fisgava algum robalo ou saicanga... estava eu descobrindo a pesca corredeira abaixo.

Aos poucos fui percebendo que a medida que eu recolhia, a mosca se aproximava da superfície e quando eu a soltava, ela ia em direção ao fundo lentamente e se eu simplesmente a travasse, ela subia sozinha, se sacudindo no ritmo da corrente e era geralmente no momento desta subida inocente que os peixes atacavam.

Os movimentos de down-stream são muito simples e fatais a um peixe distraído, basta soltar a linha na água, sem arremessos nem movimentos bruscos e fazer de conta que se está “impinando” uma pipa, papagaio ou pandorga, como quiserem chamar.

Antes de começar a pescar observe o comportamento da sua mosca na água e mensure os tempos em que ela leva para atingir o fundo, o tempo que ela leva para subir nas travagens de linha, o comprimento de seus movimentos quando incitada por leves toque com a ponta da vara, enfim, aprenda e decore cada movimento que aquela mosca faz em resposta a seus movimentos, uma vez de posse destes movimentos e da consciência de controle, comece a soltar a linha lentamente.

Da mesma forma que corrente acima, devesse varrer o rio a sua frente palmo a palmo, comece por pescar bem a frente dos seus pés, depois vá avançando e até chegar a uns 3 metros da linha de fly pra fora da ponteira, jamais deixe-a tocar na água, só o leader deve fazer isso principalmente quando a mosca estiver tão próxima de você. Vale lembrar que desde o primeiro instante em que a mosca caiu na água, ela já está pescado e seus movimentos irão atrair ou afugentar os peixes, portanto, a cada palmo, faça a mosca trabalhar corretamente.


Depois da barreira dos 3 metros, avance vagarosamente até atingir os 6 metros e faça todos os movimentos de trabalho de isca novamente, depois recolha cerca de 3 metros e solte a linha novamente, contando mentalmente o tempo que a linha leva para ficar tensa novamente; o tempo que ela irá levar para emergir; a medida que a ninfa ou emergente for trabalhando siga dando “micro toques” vagarosos com a ponta da vara, cerca de 2 toques por segundo, 1 toque por segundo a 1 toque a cada 3 segundos, isso varia conforme a velocidade da corrente, quanto mais rápida, menos se trabalha a mosca e deixa-se que a água faça isso. Feito estes movimentos aos 6 metros, está na hora de deslocar a mosca por mais alguns metros, até chegar a cerca de 15 metros no máximo, mais que isso você perde o contato com a mosca e sente somente o peso da linha. Para o up-stream, os movimento são praticamente os mesmo, mas existe uma inversão de papel, pois a mosca vem em sua direção e vc nunca deve perder o contato com a mesma, as animações são iguais, mas o recolhimento da linha com a mão esquerda deve ser muito bem feito e controlado, para quando o peixe fizer a tomada da mosca você possa fisgá-lo antes que ele perceba que está sendo ludibriado.

Para este tipo de pesca, down –stream, recomendo varas de ação média rápida a rápida, pois a pressão da corredeira pode anular sua sensibilidade e seu controle sobre a ferragem do peixe e para o up-stream, não tenha vergonha de utilizar um “striker indicator” ou indicador de picada, caso tenha dificuldades em perceber ou visualizar a tomada do peixe.

Em geral, quando se pesca em down-stream, não se precisa ferrar o peixe, ao contrário da pesca corrente acima que você tem que ter olhos de lince e fisgar o peixe antes que ele cuspa a mosca fora, pois no down-stream, o peixe assim que toma a iscas pára de nadar e solta seu corpo para que a corrente o devolva a seu posto de caça, geralmente neste instante você estará fazendo seu trabalho de recolhimento e demais trabalhos da isca e o fisga sem perceber sentindo somente a pressão das cabeçadas do peixe tentando se libertar.

Importante:

Para se pescar com qualquer um destes estilos é imprescindível que alguns equipamentos e cuidados sejam tomados. A pesca a ninfa em geral exige um alto grau de discrição e nos incita a nos cercarmos de equipamentos que nos ofereçam um alto grau de praticidade.

1 – Não leve sua casa para dentro do rio, se vais pescar dentro da água, mesmo que seja uma poça d’água, pense sempre  no pior, leve somente o básico do básico no colete.

2 – Se não enxergares o leito do rio, não arrisque, pesque da margem.

3 – Roupas de cores neutras e sem brilhos, que imitem a paisagem ao redor.

4 – Atente para que sua sombra esteja sempre para trás de você... se pescares corrente abaixo, sua sombra deve estar corrente acima e vice versa.

5 – Óculos polarizados, para além de identificar o peixe e seus movimentos, ver onde você vai botar o seu pé.

6 – Use chapéu, nunca boné e protetor solar de alto fator para proteger principalmente a nuca e orelhas do sol e evitar um futuro câncer de pele, pois estes são os locais por onde ele começa a se desenvolver. Devido aos reflexos do sol na água, passe bastante protetor solar na região do seu queixo e nos ante braços, a queimadura por reflexão é muito intensa e perigosa.

7 – Os cuidados de discrição das roupas devem ser levados ao equipo, sempre que fores escolher algo, procure por equipamentos ou acessórios que não brilhem, jogue fora ou pinte aqueles que tem efeitos metálicos e prefiras as varas de pesca com acabamento mate.

8 – Varas #5 ou  #6 de 9’6” pés de ação rápida, a menos que pesque em rios muito estreitos de pequeno e lento caudal, neste caso uma vara de 7 ou 8 pés de ação média ou lenta ajuda muito, principalmente nas apresentações a curta distancia.

9 – Escolha sempre linhas de cores opacas, tons de creme, palha, castanho claro ou oliva, pois quando sua linha afunda ela parece ser 30% mais grossa aos olhos dos peixes devido a refração da água e se o rio tiver leito de areia clara, aquela sua linda linha laranja fluorescente vai ser vista a centenas de metros.

10 – Uma carretilha automática Vivareli é um investimento precioso para a pesca em up-stream e dispensa os volumosos stripping-baskets.

Por hoje é só.

Em nosso próximo texto falaremos mais sobre pesca a ninfas, sobre a filosofia da técnica, os lances, as percepções de ataque, principais estratégias, eleição das moscas e a composição dos leaderes próprios para elas.

Então, até breve.

Gorben

Texto por Rubens Gorben
Foto por Eloy Labatut

 

Last Updated ( terça, 19 agosto 2008 )
 
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