| Sul do Chile: AÍ TEM TRUTA! E MUITO MAIS. |
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| Written by Luiz Almeida | |
| quinta, 27 agosto 2009 | |
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SUL DO CHILE: AÍ TEM TRUTA! E MUITO MAIS. II – O LAGO MYSTERIOSO No dia da chegada, logo após o almoço, seguimos para o Lago Mysterioso, onde nos alojamos por 4 dias em um chalé à beira d’água, com o objetivo de pescar grandes trutas marrons e arco-iris. Por felicidade, o destino nos brindou – nessa primeira fase – com dias magníficos, de ceú azul, pouco vento e temperaturas amenas, só esfriando ao final da tarde. Com vento brando e, às vezes, sem vento algum (o que é raríssimo na região, um verdadeiro prêmio) podíamos pescar melhor, colocando nossas moscas exatamente nos locais desejados, fazendo-as transitar sutis, junto às estruturas ou em meio aos juncos. Com isso, o resultado foram lindas pescarias, que estendiam-se até 9 horas da noite, quando finalmente o sol austral lentamente se apagava e a lua cheia brilhava, fria, no céu e na superfície do lago espelhado. Esse é o chalé do Lago Mysterioso, isolado e comodamente instalado à beira do lago, um privilégio cada dia mais caro – está ficando inviável – para nós, pescadores brasileiros.
Gostaríamos aqui de abrir um parêntese no relato de pesca, para tocar numa questão que reputamos importante: a privatização de natureza.
Lago Frio
Após o almoço e a siesta, voltamos a pescar, agora junto às margens. Várias açoes de trutas médias até que esse macho marron tomou a zonker e brigou muito para se deixar fotografar. A emoção era tanta que nem dei conta da carretilha totalmente afogada.
As ações aumentaram e capturamos mais umas 10 trutas de porte pequeno/médio até a hora do almoço, preparado com inspiração pela Elsa: Após o almoço e várias taças de vinho, fizemos longa siesta, só acordando depois das 6 da tarde. Hora de pescar! Pequenas farios insistiam em atacar as moscas, proporcionando muita diversão, mas não eram elas que buscávamos. Uma puxada seca e forte verga o duríssimo caniço Zero Gravity #5 e a arco-íris parruda enfeitou a tarde: Mas o melhor estava por vir. Percebemos que as trutas estavam subindo para comer na superfície, buscando as grandes libélulas que caiam na água. Trocamos o equipo, mosca seca na ponta do tippet e, justamente na chamada Hora Mágica, como Mel Kriegger chamava o período de transição do dia para a noite – onde a lua cheia já despontava ao fundo – uma enorme marrom tomou a mosca seca seca com muita delicadeza, nadou com ela na boca, junto a superfície, por um breve instante que parecia a eternidade e, por intuição ou por que tudo conspirava a favor ferrei na hora exata. Foi lindo demais, propiciando uma foto onde minha felicidade transparece como se eu tivesse voltado a ser o menino de 12 anos, exultante com o primeiro pampo na ponta da linha. Encerramos a pescaria e após um jantar de gala – onde comemos uma truta arco-iris que teve que ser abatida em função do streamer que a guia Elsa usava ter danado sua guelra – fomos dormir felizes e em paz. Mas, no lusco-fusco do dia anterior ocorreu uma das maiores eclosões de mayflies que eu já vi em minha vida. Ao acordarmos e navergarmos o lago cedo, para pescarmos antes do “desayuno”, deparamo-nos com uma cena incrível: milhões e milhões de mayflies mortos na superfície e uma ou outra truta que subia para comê-los, pois estavam fartas. Foi uma noite de lua cheia e as trutas comeram mayflies a noite inteira. Fizemos algumas fotos, e embora não tenham saído bem, aí vai uma: Paramos de pescar e tomamos um longo café-da-manhã enquanto esperávamos que as trutas voltassem a ter fome. Retornamos ao lago às 11 da manhã e enquanto eu arremessava minha mosca sem sucesso, Jack puxou uma linda arco-iris no sppiner: Pesquei mais algumas pequens e uma linda marrom dourada, no visual, mas não tenho foto; somente o filme, que postarei após preparar um clip de toda a viagem. O local onde foi pega foi esse, atrás de uma das pedras, fazendo lances de 25 metros. Mas Jack estava danada e após uma série de pequenas trutas ( entendidas nesse lago como peixes de meio-quilo ) acerta mais uma: Foi a truta de despedida do Mysterioso, que deixamos para trás numa linda tarde de sol e céu azul imaculado:
IV – VOLTANDO A COYHAIQUE Alternavam-se períodos de vento, com momentos mais amenos, onde pescávamos numa paisagem deslumbrante:
Pescamos muitas trutas bem pequenas, na faixa de 100 gramas, mas, volta e meia, saia uma melhorzinha:
No entanto, o objetivo maior da descida do Aysén não foi atingido, que seria pescar salmões Cohos, que fazem sua subida no mês de março. Mas assim é a pesca, sempre imprevisível e por isso mesmo encantadora.
No caminho, paramos para comprar delicioso pão de trigo puro numa padaria da região, com sua arquitetura específica:
Por sua topografia e conformação de águas, com muitas corredeiras, águas rasas e poções, além de se poder pescar com secas quase que todo o tempo, o Emperador Guillermo é um dos meus rios favoritos em todo o mundo.
A felicidade de poder fazer parte – ainda que por momentos – dessa paisagem:
A felicidade maior de poder pescar trutas dentro do cartão-postal. Embora não sejam trutas grandes como nos lagos ou rios de porte, o prazer de pescá-las aqui é inigualável!
Outra, maiorzinha:
Uma marrom, bem clarinha para se confundir com o leito do rio.
Chegamos à cabana quase 11 da noite, exaustos e plenos de Paz, humildes ante a grandeza do Criador. Após um lanche e algumas taças de cabernet, fomos dormir como Peter Pan: eternamente crianças!
Chegando ao lago, fazia muito frio, mas o vento havia cedido. Decidimos pescar e Jack pega uma marrom dourada, com spinner, no segundo lançamento:
Mas o frio, agora acompanhado pelo vento, desafiavam nossa vontade de pescar. A temperatura estava em 3ºC, mas a sensação térmica, com o vento, congelava a alma. Ainda assim sacamos algumas trutinhas:
Porém, tal qual Napoleão, fomos vencidos pelo frio e voltamos para a margem, onde fizemos uma fogueira e um belo almoço: churrasco de costelas de porco e cabernet! Jacquelline, agora estava aquecida e feliz. Que luxo!
Após um jantar no melhor restaurante da cidade e um sono reparador, amanhecemos cheios de expectativas, pois iríamos iniciar a pesca sem guia. Mas amanheceu um dia tempestuoso, com o vento retorcendo árvores e chuva forte. Resolvemos, assim que a chuva cedeu, passear pela região. Eis algumas imagens:
Artesanato local:
Minha homenagem ao Comércio. Afinal, é na Confederação Nacional do Comércio que exerço minha profissão de economista há quase 25 anos.
Uma visão da cidade de Coyhaique, vista da Ruta 240, a caminho de Puerto Aysén e Puerto Chacabuco:
Confesso que esperávamos mais das duas cidades. Não que sejam feias, mas não tem nada demais. Inclusive, a própria enseada de Puerto Chacabuco, onde se pegam o ferries ou catamarãs para visitar os glaciares da laguna San Rafael, conta com pouca estrutura para atender ao turista com profissionalismo. A informação é escassa e os passeios despropositadamente caros. Assim, nosso desejo de conhecer a luguna San Rafael e os gelos azuis milenares derreteu-se frente ao cais, diante do amadorismo do empreendimento combinado com a extorsão ao visitante. Mas valeu a visita e, ao fim da tarde o tempo já melhorava, prenúncio de bons dias de pesca.
Simpson: Jack pescando dentro de outro cartão-postal
Eram muitas as ações das pequenas trutas, tanto no spinner,
Quanto na mosca:
Mas algumas boas trutas também vieram conhecer nossas moscas e viraram fotografia em nosso álbum:
Já na hora mágica de nosso último dia de pesca, sem qualquer vento, mas com o rio um pouco toldado pelas chuvas, as ninfas eram a mosca de escolha. Só estavam saindo trutinhas minúsculas, nascidas na última desova. Estava usando uma ninfa lestreada, montada em anzol #16 (na verdade um midge em brassie cor de ouro, com cabeça vermelha e colar de fibra de pavão, que é tomada com fúria. A carretilha canta, vai ao backing e eu descendo o rio, já escuro, atrás dela. Com muito cuidado a aproximo e, já no raso, ao nos ver, uma imensa marron dá seu salto de liberdade. Não a fotogramos nem foi possível filmar, mas sua imagem estará gravada para sempre em minha memória afetiva...Aliás, a considero capturada e devidamente solta! Nesse momento, dei por encerrada minha temporada patagônica desse ano e fiquei vendo Jacquelline executar os últimos lançamentos, que renderam a truta da despedida:
V – OS PRESENTES DA NATUREZA
Ao caminharmos pelo Rio Simpson, nos deparamos com imensos salmões Chinooks retardatários (King Salmon) que já haviam cumprido sua jornada rumo a desova e agora, exaustos, com a pele escura e deteriorada, procuravam um lugar para morrer, no mesmo rio em que nasceram há vários anos atrás. São animais fantásticos, que superam os 25 quilos mesmo magros. Sua migração principal foi em novembro, mas os retardatários entraram em fevereiro, desovaram e agora morrem. Nessa altura, sua carne também não se presta ao consumo, pois torna-se aguada, sem sabor e friável. Mas existem lodges de pesca que exibem em suas propagandas fotos desses outrora magníficos animais, como troféus de pesca capturados por pescadores desavisados ou inescrupulosos. Como permitem a aproximação, a técnica é colocar uma grande colher com anzol e puxá-la até a ponteira do caniço, que dever der mais longo, de 9’ mais ou menos. Assim, com essa espécie de bicheiro, crava-se o anzol na boca do animal moribundo, que ao sentir a fisga reúne suas últimas forças e sai como um bólido pelo rio, oferecendo uma luta tenaz em que, geralmente, morre no final, como um touro abtido covardemente na arena, após ter sido sangrado pelos “badrilleros”. Depois disso são jogados fora. Também são “caçados” – com longos bicheiros – por habitantes de baixa renda, que usam sua carne para alimentar porcos, o que, devido às condições locais, deve ser entendido como algo aceitável. Na verdade, sua carne deveria ficar no rio e servir de alimento a outros predadores. Com isso, mesmo após mortos, podem protegem suas ovas, pois seus despojos saciam aqueles que comeriam os futuros filhotes.
E como Jacquelline é uma predestinada, coube a ela, em nosso último dia de pesca, avistar um brilho diferente na água. Para nossa surpresa, nos deparamos com uma imensa cama de desova de King Salmon no Rio Simpson, tramo médio:
Quando mostramos a foto ao Nino ele chegou a se emocionar. Contou-nos que há anos procura as camas de desova dos salmões, sem as encontrar no Simpson ou no Blanco (onde ocorrem com prevalência) e nos fez dar a descrição exata do ponto onde estavam as ovas, pois iria no dia seguinte fazer uma proteção com as pedras do rio. |
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