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Boa tarde amigos! Vamos ver por quanto tempo poderei acrescentar conteúdo a uma pretensa série de tópicos que apelidei de EFFMB - Explicando o Fly Fishing Através de Metáforas do Baitcasting Motivos: a esmagadora maioria dos amigos da Caterva pescam de bait mas tem curiosidade sobre a pesca com mosca. Assim, julgo mais fácil compreender alguns conceitos importantes a partir de um referencial que já dominem, no caso, a pesca com iscas tipo plug ou peixinhos. Espero que seja proveitoso. Abraços. Beto Akamine
Parte 1 - A Física do Arremesso
Ao pescar de bait, vocês já pararam para pensar como o arremesso acontece? Para não adentrar em conceitos filosóficos e de física (em especial a cinemática e o princípio da conservação de energia), vou tentar ser o mais simples possível. Ao efetuar o arremesso movimentamos nosso braço, imprimindo velocidade a este e, consequentemente, à vara de pesca que este empunha. Ao iniciar o movimento, uma parte da energia faz com que a vara acelere junto com o braço e outra, em razão da elasticidade da vara de pesca, faz com que vergue, pois não consegue acompanhar a aceleração da mesma sem se deformar. Se ainda houver um plug preso a uma linha que, por sua vez, está preso à vara, este gerará mais deformação na vara, vergando-a, posto que sua tendência natural é perrmanecer em situação de repouso (inércia). Nossa, que introdução mais chata, mas necessária para concluirmos algumas coisas: 1) quanto mais acelereção imprimimos no arremesso, mais a vara vergará; 2) quanto mais pesado o plug, mais a vara vergará; 3) quanto mais comprida a vara, mais ela vergará (princípio das alavancas e da aceleração - uma vara mais longa acelerará muito mais a isca que uma vara mais cura) A vara de pesca ao vergar, acumula energia potencial. Sua tendência natural é retornar ao formato original (reto) e, ao fazer isso, libera essa energia na forma de movimento. Quanto mais rápido uma vara tende a retornar ao estado inicial, mais rápido é o blank. Quanto maior a capacidade de carregar peso (no caso o bait) e depois retornar ao estado original, mais potente é o casting do blank. Quanto maior a capacidade de carga total que ela suporta vergando antes de quebrar em 237.894 pedacinhos, mais resistente é o blank. Opa, então blank action (ação da vara), casting weight (peso de arremesso) e power (potência) estão relacionados, certo? Não necessariamente! Potência da vara e peso que ela arremessa costumam andar juntos. Mas a ação da vara independe de sua potência e peso máximo das iscas que arremessa. Podemos ter uma vara ultra-light rápida e uma vara extra-heavy lenta. Vixe, vamos ver se alguém chega até aqui sem dormir... zzzz..... - Tá, mas o quê isso tem a ver com o fly casting? - Tudo!!! Apenas mudando alguns referenciais. No FF (vou resumir para não ficar escrevendo toda hora flyfishign, flyfishing... e FC será flycasting, ok) a coisa é muito parecida. O que muda, principalmente, é o quê arremessa o quê. No BC (baitcasting), o peso da isca vaz vergar a vara, que acumula energia potencial que, liberada, impulsiona o bait ao longe, levando uma linha leve e fina (mono, multi, fluor) de carona. Por isso que linha grossa e isca pequena não dá samba!! No FC (flycasting) uma linha pesada, desenrolada no ar (quanto mais linha para fora da vara, mais peso para vergar a vara), faz vergar a vara, acumulando energia potencial que arremessa a linha, levando de carona uma isca muito leve. Por isso que uma isca mais pesada no FF prejudica o arremesso, enquanto no BC ajuda; em contrapartida uma linha grossa e pesada no FF ajuda no arremesso, e no BC atrapalha! Bom, acho que é o suficiente para este tópico! Vamos para a parte 2 que, espero, seja menos chata...
Parte 2 - Ação e Comprimento das Varas de Pesca Complementando algumas informações daquele chatíssimo tópico sobre física do arremesso, vou ter que falar um pouco sobre movimento tangencial e aceleração tangencial. Ao fazermos o arremesso da isca (considerando o arremesso sobre a cabeça - overhead cast - para melhor visualização), se pudéssemos traçar uma linha a partir da ponta da vara, veríamos que ela descreve um movimento circular, com a mão do pescador próximo do centro desse circulo, e a isca saindo tangencialmente quando arremessada. Por que falar isso? Para que possamos entender porque uma vara mais comprida imprime mais velocidade final à isca que uma vara curta. Quanto maior a vara, maior a circunferência que será "desenhada" por sua ponta e, consequentemente, maior o caminho que esta irá percorrer em um mesmo tempo. Se o tempo é o mesmo é o caminho é maior, concluímos que a velocidade teve que ser maior. Se a velocidade é maior, a isca viaja mais rápido e atinge maiores distâncias. Daí vir a máxima: varas longas ganham em distância de arremesso e alavanca de fisgada, varas curtas ganham em precisão e controle dos arremessos. Alguns exemplos: * Pescaria de anchovas em costão de pedra? Varas de 7´6 ou maiores, de ação rápida, para iscas mais pesadas (a idéia e lançar a isca o mais distante possível e trabalhar esta bem rápido); * Pescaria de robalos em galhadas de mangue? Varas de 5´a 5´6, de ação mais moderada, pois a idéia é efetuar arremessos curtos mas com precisão entre as centenas de enroscos aéreos que circundam o habitat do robalo; * Pescaria de black bass com minhoca artificial? Varas de 5´6 a 7´, de ação mais rápida, não pela distância do arremesso, mas pela necessidade de se ter potência na fisgada. A linha muitas vezes estará a 8 metros de profundidade e a fisgada terá que compensar a elasticidade da linha (no caso da mono), mais a flexibilidade da vara, e ainda tendo que atravessar o corpo da minhoca plástica e penetrar na boca do peixe * etc, etc e etc.. cada situação um equipamento mais adequado... E no FF?? Qual a importâncida da velocidade da vara e sua potência? Já vimos que varas mais rápidas imprimem mais velocidade às iscas arremessadas. No caso do FF, as varas rápidas imprimirão maior velocidade às linhas que serão arremessadas. Simples assim! Mais velocidade, mais distância. Da mesma maneira, varas mais longas farão com que atinjam maiores distâncias, e como no BC, ganha-se em distância e perde-se em precisão de arremesso e controle, e vice-versa. Os tamanhos entrem 8´6 e 9´ são padrão para as numerações intermediárias de varas para FF pois reunem equilíbrio entre controle e potência. Ora, bolas, para que alguém compraria uma vara de FF lenta, então?? Resposta: quando se quer maior controle ou quando a apresentação da isca não pode ser feita de forma abrupta. Lembrem que a linha acelera a isca e a velocidade final desta quando toca a água é influenciada diretamente pela velocidade que o conjunto vara+linha+leader (prometo falar sobre leaders em outros tópico) lhe imprimiu. Uma isca chegando acelerada no destino final praticamente "estapeia" a água, gerando barulho e uma apresentação pouco natural. Isso não importa muito para um tucunaré ou robalo ativos, mas uma truta se alimentando de insetos em um riacho com meio metro de água cristalina vai sair correndo até o Timbuktu!! E há situações em que mesmo o robalo, o tucunaré, o bass e a traíra exigem uma apresentação mais delicada da isca. Nossas situações de pesca pedem arremessos mais longos, em regra. Mas varas de ação média e mesmo lenta podem ser exigidas em algumas situações específicas.
Parte 3 - Numeração dos equipamentos e seus usos. Os amigos do BC muitas vezes ficam pensando: - Que raios é equipamento #4? Ou #8? No FF classificamos normalmente os equipamentos com base em numeração que vai do 1 ao 15. A Sage já fabricou uma vara #0 para malucos que queriam algo ainda mais leve. Quanto menor a numeração, mais leve o equipamento. Um equipamento 1 a 2 seria considerado ultra light para os padrões do BC. 3 a 4 pode ser light. 5 e 6 medium light. 7 e 8 medium. 9 a 10 medium heavy. 11 a 12 heavy e 13 a 15 extra heavy. Essa classificação não é uma regra, mas um indicativo apenas, ok?! Uma observação importante. Quase sempre uma vara #5, por exemplo, fará conjunto com uma linha #5, um leader compatível com linha #5 e uma carretilha compatível com #5. Por isso falamos em conjunto para FF #5. Há exceções mas isso eu falo beeeem mais tarde (se me aguentarem até lá...rs) Varas mais leves tendem a ser mais curtas pois entende-se que não se compra um equipamento #2 para efetuar arremessos de 20 metros (uma enormidade em se tratando do FF). O comprimento médio varia de 7´6 a 8´. Contrário senso, varas mais pesadas tendem a ser mais longas, mas dificilmente ultrapassando o comprimento de 10´ por causa da relação potência x controle. Há varas mais longas para situações específicas de pesca, como as varas para spey casting (de 11´ até 15´) ou mesmo as varas double-hand, longas e mais rápidas, usadas para longuíssimos arremessos e iscas grandes, em busca do pike (muskelunge ou lúcio). Mudando de saco para mala, vou falar um pouquinho sobre o BC. Na pesca de BC é comum passarmos do equipamento médio para o ultra-light, respeitado o peso da isca e o peixe que se quer pescar, buscando-se esportividade na briga com o peixe. Pode-se sacar um bass de dois quilos com um conjunto de 20lbs bem como com um conjunto de 4 lbs, desde que o casting weight das duas varas seja compatível com a mesma isca usada. No fly não é bem assim.... Não raro pode-se usar um equipamento #4 para pescar uma truta de 4 quilos com mosca seca e exigir-se um equipamento #8 para a pesca de black basses de 800 gramas. Mas por que?? Porque o fator mais determinante para a numeração do equipamento que se vai usar para uma dada pescaria é a isca que este terá de carregar. No primeiro caso uma mosca seca atada em anzol #18 é facilmente arremessada com o equipamento #4 e um longo e leve leader, ainda que o peixe pretendido seja grande. No segundo exemplo, embora os peixes sejam menores, as iscas usadas na sua captura são grandes ou pesadas ou volumosas, ou ainda, as 3 coisas juntas. Arremessar um hairbug em anzol #1/0 com equipamento #4 e leader longo e fino é praticamente impossível, ainda mais se se busca uma distância decente de arremesso. Aí o porquê se sobredimensionar o equipamento, não em razão do peixe, mas em razão da isca. Distância do arremesso é outro fator que pode determinar o uso de equipamentos mais pesados. Locais com muito vento também, pois um equipamento mais pesado facilita o controle da linha no ar. Por isso há a recomendação aos iniciantes que adquiram um conjunto médio, #6 ou #7, para começar. Com esse tipo de equipamento é possível pescar-se uma variedade muito grande de peixes em uma grande gama de situações. Com o tempo, sentindo a necessida, o pescador irá adquirir numerações maiores e menores que mais se adequem às situações de pesca que lhe são corriqueiras. Finalizando, a pergunta que sempre é feita: numeração par ou ímpar? Se pegarmos um conjunto de FF #6 e #7 veremos que há pouca diferença entre ambos. Mas se pularmos de um #6 para um #8 a diferença será bem mais evidenciada. Por isso que os pescadores de FF costumar pular um número entre seus conjuntos, adotando numeração par ou ímpar. Em São Paulo é usual adotar-se numerações ímpares, no Paraná optaram pelas numerações pares. E há aqueles que querem um maior contraste entre os equipamentos, pulando de 3 em 3 a numeração do cojunto (exemplo: #3, #6 e #9). Questão de gosto. Afe, acho que por hoje chega! Boa passagem de ano a todos!! Vou ver se retomo esse papo doido em 2008 (ou antes) Parte 4 - Introdução às linhas de fly Olá amigos! Vou falar um pouco sobre linhas para fly (ou linhas de fly como são mais comumente chamadas). Reitero que apenas trarei alguns conhecimentos básicos sobre as linhas, pois o assunto é deveras extenso. Para aqueles que quiserem se aprofundar um pouco mais no assunto, há várias home-pages na internet que tratam com profundidade do assunto. Apenas para citar alguns, que acho bem didáticos: http://www.bigskyfishing.com/fly-fishing-articles/fly-lines-guide.php http://www.flyfishusa.com/lines/choose-line-home.html http://www.pescacommosca.com.br/maluf1.htm Vamulá entaum!!! (rs) Recordando, os equipamentos para pesca com mosca variam do número #00 (valeu, Haruo!) até #15. Conseqüentemente as linhas acompanharão a numeração do equipamento, então, teremos linhas do #00 ao #15. O que diferenciará uma da outra é o seu peso, que será maior quanto maior o número do equipamento a que ela se destina. Até aqui a coisa está tranqüila. Então... vamos complicar!! Eh!!!!! (rs) Uma linha para mosca tem sua numeração definida pelo peso que apresenta em seus 30 pés (aproximadamente 9 metros) iniciais. O peso é definido em grains, uma medida doida que corresponde a 64,79891 miligramas. Assim, uma linha #7, por exemplo, terá sempre o mesmo peso em seus 30 pés iniciais (aproximadamente 185 grains ou 12 gramas), não importando o seu perfil (shape ou formato) ou razão de afundamento (floating, sinking, intermediate), assunto que falarei mais adiante. Assim, ao fazermos os arremessos false cast (o tradicional para-a-frente-e-para-a-trás-no-ar), estamos carregando a nossa vara de fly com 12 gramas de linha que vão e vem, mais o peso do leader e do fly (mosca). Uma vara #7 foi feita para vergar de forma adequada com essa porção da linha (e seu correspondente peso) para fora da ponta da vara. Por isso que usar uma linha #9 em uma vara #7 causará uma sobrecarga que pode até quebrar a vara pelo excesso de peso. Ao inverso, uma linha #5 em uma vara #7 não terá peso suficiente para vergá-la, permitindo o arremesso (falta de peso). - Mas tio Beto, eu não posso usar uma linha #6 em um equipamento #7 para deixá-la mais rápida? - Opa, pode sim, mas não estraga a surpresa, pois vou tratar disso em ooooutro tópico, tá?! Agora toma o seu sorvete e fica quieto!! (rs) Recapitulando. Uma linha #7 é adequada para ser usada com um conjunto (vara e carretilha) #7, e terá aproximadamente 12 gramas em sua porção inicial de 9 metros. A linha para fly pode ser dividida em duas porções: head (cabeça) e running line (porção de linha fina e de igual diâmetro, logo após a head, que compõem todo o resto da linha para fly). A head ainda pode ser dividida em: - tip (ponta) - porção inicial da linha, mais fina, na qual se ata o leader; - front taper - porção mais à frente da linha, que vai engrossando e formando a cabeça (porção mais pesada); - belly (barriga) - é a parte mais grossa da linha, a parte pesada que forma a maior parte do peso da head (cabeça) da linha; - back tape ou rear tape - porção no final da head, em que a linha vai afunilando até ficar no comprimento da running line e a esta é emendada - running line - é a porção final da linha de fly, emendada diretamente com a head, e que compõe dois terços do comprimento total da linha para fly (em média). Entendendo o conceito de head e running line, podemos dizer, agora, que uma linha com head compacto e à frente, seguido de uma running line fina, produz longos arremessos. Ao contrário, uma head longa e uniforme, seguida de uma running line mais grossa, efetuará arremessos mais curtos e delicados. Até aqui tudo bem? Vamos em frente! Imaginem os colegas de BC que vocês possuam um plug mágico, que pode ser esticado e encolhido à vontade, mas o peso não possa ser alterado. Digamos que este plug tenha 12 gramas ou 185 grains, como uma linha para fly #7. Este plug será arremessado com uma vara apropriada para arremessar iscas de 12 gramas. Se eu esticar o plug até que tenha um metro de comprimento, ele ficará muito comprido e fino. Ele terá pouca aerodinâmica, será difícil arremessá-lo, mas, em compensação, cairá com muita suavidade na água. Se eu comprimi-lo, transformando-o em uma bola, ele poderá ser arremessado muito longe, mas cairá como uma bomba na água. Posso ainda moldá-lo para que adquira o formato de uma gota alongada, com a cabeça mais compacta, afunilando progressivamente até a cauda (algumas iscas tipo zara possuem esse formato). Esta isca reunirá as duas características anteriores, boa aerodinâmica, boa distância de arremesso e menos impacto ao cair na água. Linhas para fly seguem a mesma lógica. Haverá situações que teremos de priorizar a distância de arremesso. Nesse caso as linhas terão sua head (cabeça) mais concentrada e mais a frente possível na linha. Em outras situações, o importante será a apresentação do fly, que deverá ser a mais natural possível. Assim, em tal situação, o peso da linha será distribuído mais uniformemente ao longo da head, de modo a dispersar a energia da linha e permitir uma "aterrissagem" mais suave desta na água, sem causar estardalhaço que espantaria o peixe. As diversas variações de taper (formato, perfil ou shape) seguem essa lógica simples que expus acima. Vou falar sobre algumas mais comuns: - Weight Forward (WF) - pode ser traduzido como "peso à frente", e como o próprio nome diz, é uma linha desenvolvida com o peso concentrado na porção mais à frente da linha. Indicada para arremessos mais longos e situações de vento. Variações: bass bug taper (WF-BBT), rocket taper (WF-RT), long belly taper (WF-LBT), etc, etc.... -Double Taper (DT) - tem como característica possui uma head mais alongada e simétrica. É indicada quando se quer apresentar a mosca de forma mais delicada, uma vez que a linha acelera menos e cai com mais suavidade na água. Linha padrão para a pesca com moscas secas (dry); - Triangle Taper (TT) - um misto das duas linhas anteriores, possui o peso mais concentrado à frente mas um perfil que vai afunilando suavemente até a ponta, permitindo uma apresentação mais delicada da mosca e, ao mesmo tempo, imprimindo mais aceleração na linha, como uma WF. É a minha linha padrão para equipamentos #6, como conjunto "coringa". - Level (L) - tem o perfil igual do começo ao fim da linha. Tem pouca utilização. Costumava usar uma Level #2 como ruuning line de linhas shooting (explico isso no futuro); - Shooting Taper (ST) - esta linha nada mais é que a parte pesada (cabeça) de uma linha WF convencional. É presa a uma linha bem mais leve que a parte traseira de uma WF regular, de forma a permitir longos arremessos (quanto mais leve e fina for a running line, menor será o arrasto e mais longo será o arremesso). Usualmente utiliza-se como running line um monofilamento especial de pouca memória (senão formam-se molas de linha que atrapalham o arremesso). Eu costumo usar um monofilamento vermelho chamado Amnésia (nem deveria ter memória com esse nome, mas tem um pouco sim), fabricado pela Sunset. Era há alguns anos a running line padrão para quem pescava com shooting. Hoje em dia parece-me que há materiais mais modernos que a substituem. Variação: Série T, da Teeny Nimph Corporation, que é uma shooting seguida de uma running line muito fina. Depois que conheci esssa linha, minhas ST tradicionais ficaram encostadas. Uma vara #8 de ação rápida com uma T-250 arremessa muito longe........ Para concluir, as linhas para fly ainda podem ser floting (flutuantes), intermediate ou slow sinking (neutras ou pouco afundativas) e sinking (afundativas), sendo que estas últimas podem afundar devagar, rápido, muito rápido ou muuuuuito rápido, caso das deep water express e das lead core. Parte 5 - Carretilhas e Equilíbrio do Equipamento
Quando algum amigo deseja se iniciar no FF, é praxe indicarmos que ele invista na vara e na linha, deixando a carretilha como um equipamento secundário. Eu mesmo faço isso com frequência. O motivo é que para nossas condições de pescaria, na maior parte do tempo, a carretilha será apenas um dispositivo de armazenamento de linha, pouco exigida durante a briga com o peixe. Mas... nem sempre! Vamos bater um papo sobre carretilhas para FF.... 1) Recolhimento e Relação de Recolhimento O modelo mais comum e usado de carretilhas para FF é aquela sem efeito multiplicador: a cada manivelada, recolhe-se uma volta de linha. Isso parece muito desconfortável para os amigos do BC acostumados com carretilhas de relação 5:1, 6:1 e até 7:1. Mas isso traz poucos problemas, se considerarmos que a carretilha só será usada por alguns momentos durante a pesca (no recolhimento do excesso de linha e, eventualmente, em alguma briga com o peixe). Há alguns modelos de carretilhas que possuem um mecanismo de multiplicação de recolhimento, caso das caríssimas e excelentes Abel, que chegam a até 3:1. Uma opção mais em conta e que tenho adotado cada vez mais é o uso de carretilhas Large Arbor, que nada mais são que carretilhas de relação de recolhimento simples (1:1), mas com o meio vazado e o diâmetro aumentado. Lembrando das aulinhas de matemática, que a circunferência é igual a 2(pi) vezes o raio, e o raio dessas carretilhas tende a ser pelo menos duas vezes maior que o raio de uma carretilha normal, concluímos que há um efeito multiplicador indireto do recolhimento. Modelos simples como o Okuma Airframe (menos de USD 40,00 no EUA) são opções boas e baratas de carretilhas para as situações de pesca que temos no Brasil. Esses modelos de carretilha podem parecer exagerados a primeira vista, mas ao sentirmos em mão, verificamos que seu peso não é muito diferente de uma carretilha normal de mesma numeração. As principais vantagens que observo no uso das carretilhas large arbor: (1) a linha é bobinada em voltas mais largas, causando menos o "efeito mola" da linha que fica muito tempo guardada; (2) quando é preciso recolher rápido a linha para mudança de local ou nas raras situações que se exige um rápido recolhimento na briga com o peixe; (3) caso o peixe tome linha durante a briga, ela girará muito mais lentamente para soltar a mesma quantidade de linha, gerando menor desgaste final da fricção e menos chance de queimar a mão que serve como freio auxiliar encostado ao corpo da carretilha e (4) por ser vazada em seu meio (e normalmente perfurada como um carretel aliviado de BC), a linha e o backing retém menos água e umidade, que podem prejudicar o conjunto. 2) Fricção Como já falado, serão raras as vezes que usaremos a fricção da carretilha e mesmo esta durante a batalha com os peixes. Mas o que é exceção pode ser a regra para os seguintes peixes: (1) grandes tucunarés amazônicos; (2) bicudas; (3) anchovas e outros peixes marinhos de curso; (4) dourados de rio e de mar; (5) pescarias internacionais, especialmente bonefish, tarpon e grandes salmões; (6) outros peixes e situações semelhantes (inclusive pesca de peixes de bico e atuns em água azul). As carretilhas mais baratas possuem um sistema de freio simples, que não resiste à corrida de um peixe grande, mas é suficiente para corridas curtas da maioria de nossos peixes, o que inclui tucunarés, robalos, traíras, basses e outros peixes que costumam dar duas ou três corridas iniciais vigorosas e curtas e depois sossegam. Mas engatar um bonefish ou uma bicuda, que puxam 50 ou mais metros de linhas em uma corrida, podem arrebentar a fricção simples pelo calor e atrito gerado, deixando o pescador na mão. Nesse caso, o conselho de economizar na carretilha deve ser repensado. As carretilhas mais top de linha, como Abel, Tibor, Ted Juracsik, Ross e outras, possuem freios de discos de teflon e cortiça preparadas para suportar esse tipo de esforço e desgaste. Algumas possuem até um sistema de "turbina" (Cortland) que diminui a inércia inicial do carretel quando o peixe toma a linha, protegendo o tippet do leader. 3) Equilíbrio Carretilha e Vara Nas carretilhas costumam vir a indicação de uso, que abrangem até 3 numerações diferentes de equipamento. Por exemplo, uma carretilha que vem indicada para linhas 4/5/6. Isso quer dizer que se poderá usar qualquer uma das 3 linhas nessa carretilha. Como uma linha #6 é bem mais volumosa que uma linha #4, comportará muito menos backing (linha de reserva colocada no fundo da carretilha, antes da linha de fly) que ao usar uma linha #4. Se tentar colocar uma linha #8 provavelmente ela não caberá na carretilha, mesmo sem backing. E uma linha #2 colocada nessa mesma carretilha exigirá muito backing no fundo e, provavelmente, não formará um conjunto confortável com a vara #2. Quanto maior a carretilha, mais pesada ela será, mais linha comportará e para linhas de maior numeração será indicada. Essa é a regra. Porém... bom, sempre tem um porém... Ao contrário do BC, em que podemos colocar um Symetre 750 ou um Symetre 2000 na mesma vara e ainda assim ter um conjunto equilibrado, achar a carretilha compatível para uma determinada vara no FF é mais complicado. Explico. No BC a mão é posicionada na altura da carretilha/molinete, que compõem, em regra, o maior peso no conjunto vara/carretilha. De certa forma, ao segurarmos o conjunto pelo seu ponto mais pesado, haverá uma tendência maior de equilíbrio de todo o conjunto, ainda que se altere a carretilha/molinete, pois seu ponto de sustentação continua o mesmo, em cima dele. No FF a carretilha é posicionada abaixo do ponto de pegada do conjunto, como forma a criar um contrapeso de equilíbrio para o conjunto. De um lado temos o peso da carretilha e do outro o peso de quase toda a vara mais a linha. Se houver um desequilíbrio na relação, este será sentido durante o arremesso. Uma carretilha leve demais faz a vara e a linha penderem em demasia em direção à ponta, obrigando o pescador a corrigir isso pela força, causando desgaste e fadiga. Já uma carretilha muito pesada sobrecarregará todo o conjunto, forçando novamente o braço do pescador, mas no sentido contrário. Ao longo dos anos descobri que há mais um componente importantíssimo a pensa quando se busca o equilíbrio vara x carretilha no FF: a distância de arremesso pretendido! Quanto mais linha desenrolamos no ar, buscando um arremesso mais longo, mais peso teremos em direção à ponta da vara, exigindo uma carretilha mais pesada no outro extremo, de modo a dar o equilíbrio necessário a um arremesso confortável. Em contrapartida, arremessos curtos e mais precisos pedem um conjunto mais equilibrado. O que eu costumo usar: (1) situações de longos arremessos (tilápias no Capivari, p.e.)- carretilhas mais pesadas para um mesmo # de conjunto, pois o balanceio do conjunto durante o arremesso é priorizado; (2) situações de arremessos curtos (trutas em riachos, p.e.) - carretilhas menores e mais leves, pois o balanceio do conjunto durante o trabalho da isca é priorizado; Assim, não há uma regra rígida, de usar tal carretilha para tal conjunto. Em minha varinha #4 eu uso desde uma carretilha tradicional pequena e leve com linha DT-4-F para pesca de trutas, como uma carretilha large arbor de alumínio, mais pesada, com linha TT-4-F para a pesca de tilápias em grandes represas. Na vara #6 tenho uma carretilha mais leve para arremessos curtos (até 15 metros) e de precisão, com linha WF-7-F BBT, para os robalinhos no mangue, e também tenho uma carretilha grande large arbor, para linhas 7/8/9, equipado com linha TT-6-I para longos arremessso. Opa!! Opa!! Peralá!! Linha #7 na vara #6? Carretilha 7/8/9 para vara #6? Caaaaaaalma!! Vou tratar disso em outro tópico, futuramente, ok?! Já tenho até o nome: Quebrando Paradigmas. Mas antes dele precisamos avançar em alguns conhecimentos básico iniciais, ok?! Ufa, por hoje chega, né?! Vou tomar um café e trabalhar um pouquinho.... Parte 6 - Aos Futuros Pescadores com FLY Muitos colegas do bait não se iniciam na nobre arte da pesca com mosca por preconceito ou informações errôneas que recebem. Devo reconhecer que há entre os pescadores com mosca muitos que mais atrapalham que colaboram, ao repetir que é uma modalidade para poucos, ou que é difícil, ou sei lá o quê. Pensando nisso, fiz um pequeno Q&A que, espero, ajude a trazer para essa maravilhosa modalidade, mais e mais colegas adeptos do baitcasting (né, Oga!!... rs). 1) O fly é muito caro? R: O fly será tão caro quanto você quiser que seja. Com 400 reais é possível montar um conjuntinho básico, mas se gostar da modalidade e quiser se especializar, o céu é o limite. 2) O que é preciso para começar? R: Uma vara, linha, carretilha, backing, leader e algumas moscas. 3) Qual o conjunto mais indicado para iniciantes? R: Um conjunto #6 ou #7 é considerado médio, permitindo uma grande variedade de pescarias diferentes, desde tilápias com ninfas até black basses e robalos e tucunarés médios. 4) Como aprendo a arremessar? R: A melhor maneira é fazendo um bom curso. O Marcos Valério da Fly Cast e o Beto Vaucher da Fly Sul são boas referências. Caso não seja possível, alguns bons vídeos ajudam a dar os primeiros passsos. Do mestre Mel Krieger (Begginings, Essence of Fly Casting I e II), Doug Swisher (Basic Fly Casting, Advanced Fly Casting), Joan Wullf, Steve Rajeff, Lefty Kreh, John Goddard... tem para todos os gostos. 5) O arremesso é muito complicado? R: Tanto como arremessar de baitcasting, e será tão mais complicado quanto você quiser aprofundar o seu conhecimento. Um pescador de bait pode passar a vida com o overhead e não precisar de outro arremesso, assim como um pescador de FF pode pescar apenas com o pickup-and-laydown. 6) Os nomes no FF são muito complicados.... R: Tão complicados quanto no BC! Basta substituir overhead cast, pitchin cast, flippin cast, skipping cast e outros, por pickup-and-laydown, false cast, roll cast, double-haul, etc. Cada arremesso tem sua técnica e trejeitos, que só se aprende na prática e só serão usados se necessários. 7) Mas os nomes das iscas... credo!! R: Tão "credo" quanto as iscas de BC (rs)!! Será que Mogul, Anthrax, Fat-A, Big-O, Original Jointed e outros, são menos esquisitos que Royal Wullf, Adams, Bitch Creek, Montana? Apenas questão de se acostumar e de se familiarizar. 8) O fly é menos produtivo que o bait? R: Depende da situação. Em pescarias de robalo, normalmente um baile da esposa (que só vai com o fly), enquanto eu permaneço no bait. O fly permite uma apresentação mais delicada da isca, assustando menos o peixe, e a isca, em regra, tem movimentos mais naturais. 9) Mas tem situações em que não dá para pescar com fly!! R: Meia verdade. Eu diria que há situações em que pescar com o fly é pouco confortável, mas dominando-se as técnicas corretas é possível pescar sim. Vento forte? Double haul e linha intermediate. Árvores atrás? Roll cast, power roll cast o Goddard´s cast resolvem. Peixes no fundo? Linha sinking, extra sinking ou deep water express. Arremessos bem longos? Linhas shooting ou série T da Teeny. 10) É muito difícil achar material de fly para comprar... R: Há algum tempo atrás era bem pior, e nos primórdios da FF no Brasil, só importando direto. Há muitos bons comerciantes de equipamentos para FF e para atados. Só vai ser difícil se esperar entrar em uma loja de pesca tradicional e encontrar o que procura. Os contatos certos são essenciais. E caso venha a pedir para trazerem algo do exterior, o material para FF costuma ser menos volumoso e mais leve que o de BC. 11) Antes de iniciar no FF preciso aprender o BC R: Por que? Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O fly não é mais, nem menos complicado que o BC. É apenas diferente. 12) Antes de iniciar no atados de moscas preciso aprender a pescar com mosca R: Errado novamente. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, embora seja quase um caminho natural o pescador de FF se interessar em atar suas próprias moscas. Mas o grande atador Nelson Borges já fazia excelentes obras de artes na morsa, muito antes de dar seus primeiros arremessos. 13) O fly é só para peixes pequenos? R: Se você achar que um tubarão-tigre de 250 quilos, um marlin-negro de 180 quilos, um tarpon de 80 quilos e um tucunaré de 12 quilos são peixes pequenos, então eu digo sim. Todos esses constam como peixes capturados com equipamento de mosca. 14) Por que eu pescaria com fly se posso pescar de bait? R: Por que você pesca de bait se pode pescar com isca natural? Ou melhor, por que vocêe pesca? Cada um tem seus motivos, gostos e manias. Eu comecei a pescar com mosca como forma de expandir mais os conhecimentos sobre o amado esporte da pesca. A curiosidade virou paixão. 15) Se eu pescar com fly, devo largar o bait? R: Eu pesco com fly, bait e isca natural até hoje. Se quiser se enveredar para a exclusividade de apenas uma modalidade será um opção tão somente sua. 16) É preciso praticar para pescar bem com fly? R: Sim! Assim como é preciso praticar para se fazer bem qualquer coisa na vida. Quer colocar a MirrOlure embaixo das galhadas? Aprenda e pratique. Quer arremessar a 150 metros da praia, no terceiro canal? Aprenda e pratique. Quer efetuar um double haul com pefeição? Aprenda e pratique. 17) Aprendendo o fly serei um pescador melhor? R: Não, você se tornará um pescador que sabe pescar com fly. Para ser melhor, pratique, qualquer que seja a modalidade. Mas aprendendo o fly você terá outras opções de pesca e uma forma diferente de se divertir. 18) Pescador DE fly ou pescador COM fly? R: Eu prefiro a nomenclatura pescador COM fly, pois na minha opinião, o que define a modalidade não é o equipamento de pesca, mas o que vai amarrado na ponta do leader e que servirá para atrair o peixe, no caso, o fly. Pescador DE fly é aquele que utiliza o equipamento de pesca destinado do flyfishing, independentemente do que colocar como isca (um fly, uma minhoca, um spin-n-glo... ) 19) Ei, o que você falou na outra pergunta.... spin-n-glo não é fly? R: Ih, essa questão de novo again novamente!! (rs). Minha opinião: spin-n-glo não é fly, mas pode ser usado em equipamento para fly. Não é fly porque não foi feito para ser usado como equipamento para fly, Equivale a amarrar uma rapalinha na ponta do leader. 20) Tenho mais uma dúvida.... R: Pode mandar que eu tento responder!! Abração a todos!! Beto Akamine Conteúdo retirado com permissão do autor de http://www.caterva.com.br O amigo Beto Akamine faz parte de nosso fórum. Qualquer dúvida consulte-o.
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